28 de set. de 2007

Avenzoar Arruda no PDT? Chiquinha já foi.

Acontece uma nova fragmentação do PT da Paraíba e mesmo assim não há espaço para Avenzoar Arruda. Luiz Couto e Frei Anastácio que, em 2004, tiveram uma participação morna na campanha do petista à prefeitura, estão mais separados do que nunca, mas com uma visão comum: Avenzoar Arruda não lhes serve para nada. Sobra Júlio Rafael, com quem Arruda nunca se entendeu. Ou seja, se Avenzoar quiser alguma coisa para si no ano que vem vai ter que cantar n'outra freguesia. Talvez o PDT. Chiquinha Barbosa, ex-delegada regional do trabalho, cargo que herdou de Avenzoar, e ex-operadora de sua campanha em 2004, deixou o PT e assinou ficha no PDT, com direito à presença do secretário nacional do partido. A porta está aberta.

16 de set. de 2007

Mas que fixação!


Primeiro foi Tasso Jereisatti chamando Almeida Lima de "boneca". Depois, veio Gerson Camata e chamou os senadores abstinentes no "caso Renan" de "gays cívicos". Interessante essa obsessão dos nossos senadores por referências ao homossexualismo quando querem ofender-se uns aos outros. Nada mais politicamente incorreto. Jereissatti disse "calma, boneca" ao senador sergipano por entender que a reação irada, quase histérica, que este vinha apresentando, era típica dos gays. Se isso não for preconceito já não sei o que é preconceito. Já o senador capixaba chama de "gay cívico" aquele que não votou nem pela cassação nem pela absolvição de Renan, ficou encima do muro, indefinido. Ou seja, para Camata "gay" é indefinido. E agora? Será que alguém que se define como gay está se definindo como indefinido?

13 de set. de 2007

Solução cangaceira



O conjunto de secretices, proibições, impedimentos e truculências que caracterizou a votação do “caso Renan” me fez lembrar a votação das “diretas”, lembram? Quando a ditadura proibiu o acompanhamento da seção que votaria as “diretas” pela mídia e o glorioso congresso brasileiro manteve as eleições indiretas, inclusive com o voto do Zé Sarney? O Sarney continua lá e o congresso continua muito parecido com aquele. Seguindo o típico modelito cangaceiro, a primeira providência de Renan Calheiros foi convocar todo o aparato da segurança do Congresso para fazer valer pela força a proteção ao voto envergonhado que manteve seu mandato. A violência de seu leões de chácara contra os deputados que queriam ingressar no plenário mostrou que não existe diferença entre ditadura militar e ditadura cangaceira. Os milicos eram execrados pela civilização democrática mas se lixavam para a opinião da intelectualidade internacional, uma vez que estavam garantidos pela proteção do poderio anticomunista norte-americano. Renan Calheiros também sabe que é execrado pela civilização brasileira mas se lixa para a opinião do Brasil decente, uma vez que tem a proteção dos interesses da turma do Lula e do PT. Queiramos ou não, Lula é poder e é do PT. Ou seja, o PT é poder. A catarinense Ideli Salvatti tem isso muito claro e sabe que se não brigar pelo poder do PT ela perde seu significado como expressão política, impensável em outras circunstâncias. Estará muito iludido, portanto, aquele que acredita que as broncas que o Lula dá no PT e as alianças por interesse que o Lula faz com Deus e o mundo, a ponto de causar ciumeira em seu partido, serão motivo para o petistas abrirem mão de suas boquinhas ricas e romperem com a causa maior do partido, muito parecida, aliás, com a dos milicos: se manter no poder o quanto der. A abstenção de Aloísio Mercadante foi emblemática: ela significa que a sem-vergonhice institucional do PT é mais forte que a honestidade individual de seus membros. É simples: ao perder de lavada a eleição para a prefeitura de São Paulo para José Serra Mercadante sacou que não tem vôo próprio. Ou seja, seu destino está desgraçadamente atrelado ao destino do PT. Para bem ou para o mal. Mercadante, portanto, não tinha saída. Teve que fazer o jogo de Renan Calheiros. A verdade é que, enquanto Lula for presidente e sustentar os altos índices de popularidade que mantém entre o povo mais pobre, obedecer ao presidente vai ser o único caminho do PT se segurar nas pernas. Fora disso, é o mensalão. E assim o PT continua sendo uma carona e tanto para manter empregos, mandatos e força para adiar as penas por formação de quadrilha. Prova disso é o fato de José Genoíno, professor Luizinho e outros mensaleiros terem passado impunemente pelas urnas. O partido do presidente da república, queiramos ou não, significa muita coisa quando o povo está comendo o que não comia. Nada impede, porém, que sapateemos de raiva, é o tal do júris esperneandis. Jânio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo ilustrou com magnitude a situação: disse, com todas as letras, que “Renan Calheiros é o homem certo no lugar certo”. Perfeito. Ninguém representa melhor o Congresso Nacional do que Renan Calheiros. Da mesma forma que, provavelmente, ninguém representa melhor o povo brasileiro do que Luiz Inácio Lula da Silva. O caso Renan Calheiros poderia ter sido uma bela oportunidade de demonstrar certa contradição nessa representatividade, que Lula não tem nada a ver com Renan. Mas no aperreio da circunstância, Lula e o PT provaram que não é bem assim, que dá, sim, para juntar cangaceiros e cabras lascados no mesmo barco, que dá para juntar coronéis e caboclos na mesma panela, que dá para juntar Lula e Renan no mesmo conluio. Lula e os petistas apesar de terem tomado uma decisão arriscada também não são idiotas e contam com uma variável determinante: povo com a boca ocupada mastigando não tem tempo para protestar contra questões tão subjetivas como “quebra de decoro parlamentar”. Foi em suas bases que a abstenção petista se deu conta de que o problema estava circunscrito à exploração política de certa “imprensa burguesa”. Para o povo, Renan estava encrencado porque chifrou a mulher e a amante quer dinheiro. Na periferia isso se resolve com umas cachaças e umas porradas. No cangaço também.

12 de set. de 2007

Ricardo não precisava dessa

Ricardo Coutinho, a gente goste ou não do seu estilo de administrar, tem uma qualidade admirável: assume e realiza aquilo em que acredita como sendo o melhor para a população e enfrenta as críticas de maneira corajosa. Foi assim que conquistou a admiração dos pessoenses, dos paraibanos e de muitos brasileiros. A minha admiração, inclusive. Mas hoje fiquei desapontado ao ler que Ricardo foi agraciado com um desses "prêmios" pra lá de manjados, organizados por "institutos" com interesses comerciais bem conhecidos. Ricardo Coutinho, no caso, foi "escolhido" o melhor prefeito do nordeste. Acredito que até seja, senão o melhor, um dos melhores. O que, contraditoriamente, coloca o título em cheque é a "qualidade" do "prêmio". Basta ver quem já ganhou antes.

6 de set. de 2007

Enfrentando as feras

Na quinta-feira, 30 de agosto, este amigo de vocês participou na Câmara Federal, como representante da ABAP, da audiência pública que discutiu o projeto de lei 5921/2001 do deputado federal Luiz Carlos Hauly, que propõe a proibição da publicidade dirigida às crianças. Junto com Gilberto Leifert, presidente do Conar, defendemos a liberdade de comunicação comercial, dentro das restrições estabelecidas no Código de Auto-Regulantação Publicitária. O código, aliás, é um dos mais severos do mundo quando se trata de anunciar produtos infantis. Portanto, bandeiras que sugerem censura não acrescentam nada de positivo e, ainda, insuflam o autoritarismo. O fato, meus amigos, é que por trás de todo projeto de lei é provável que haja um marqueteiro soprando idéias na cabeça de um político: vá por aqui, chefe, que isso rende e dá midia...

3 de set. de 2007

O grito das bonecas


O mundo gay está em polvorosa. Tudo porque, numa discussão no Senado, Tasso Jereissatti digiriu-se a um exaltado Almeida Lima com ironia, utilizando um tratamento reservado, em tese, ao mundinho gls: "boneca". Que fofo! O curioso da história é que Almeida Lima, que mostrou-se ofendido com a "acusação", ganhou a solidariedade dos gays. Não estou entendendo: se alguém me chamar de "boneca" e eu me ofender estarei sendo politicamente correto? O correto não seria responder alguma coisa como: "O nobre senador Jereissatti tenta ofender-me, ao me chamar de 'boneca', demonstrando o seu preconceito e o seu desprezo pelos homossexuais. Pois saiba, senador, da minha parte, embora não seja homossexual, aceito de bom grado o título, pois que ele caracteriza uma parcela importante da sociedade brasileira que merece todo o meu respeito." Aí, sim, me parece que mereceria o apoio dos gays. Desculpem, mas no momento em que se mostra ofendido por ser chamado de "boneca" estará sendo tão preconceituoso quanto Jereissatti. Portanto, não se deixem guiar pelo impulso da raiva que leva ao equívoco. Os dois são machistas e preconceituosos.

Correndo atrás do rabo

Tenho a impressão de que se a Justiça resolvesse trazer à tona todas as encrencas envolvendo os homens públicos da Paraíba não sobraria ninguém para apagar a luz do Castro Pinto. É incrível. Primeiro, começamos a assistir a agonia de Cássio Cunha Lima, cassado pela TRE por 5 x 0, e agora adiando o quando pode sua cassação, em Brasília. Depois passamos a assistir a agonia daquele que, segundo Cássio, seria o responsável por sua agonia: Roberto Cavalcanti, proprietário do Sistema Correio e suplente de José Maranhão. Cavalcanti ocuparia a cadeira de senador caso Cássio seja cassado e Maranhão venha a assumir o governo. Tudo assim, encadeadinho, não fosse a novidade de que Cavalcanti também estaria encrencado com a Justiça. Lembro que durante a campanha de 2002 fui desencorajado a perseguir certas denúncias com grande potencial de estrago político envolvendo adversários nossos. Motivo: na Paraíba você sai de casa investigando pela porta da frente e acaba em casa de novo pela porta dos fundos.

24 de ago. de 2007

A Paraíba de hoje vive sob a égide malvada do egoísmo.

Salomão Gadelha

Todas as virtudes foram perdidas por quem jamais poderia deixar de tê-las. E o foram em nome tão somente do egoísmo; do desejo desmedido de ter o poder apenas pelo poder, sem aferição de métodos, sem respeito aos princípios democráticos, com desprezo ao senso crítico das pessoas,
e seguindo rigoroso e desenfreado processo de intimidação. "Está com medo? Não, estou com Pedro"! Bradou a Paraíba insubmissa de 1960. E agora vai se curvar ao medo? Medo de quem? Dos medíocres? Dos fracos? Dos pobres de espírito? Dos pusilânimes? Dos que buscam desmoralizar e subjugar instituições antes admiradas e respeitáveis? Óbvio que não. A coragem vai continuar predominando, enquanto o mal vai se dissipando, se esgarçando, se destruindo em suas próprias mazelas. A coragem vai vencendo, porque é a vontade de Deus.Quando ao homem foi atribuído o livre-arbítrio, por certo que o Criador ficou torcendo para que criatura seguisse o caminho do bem, da coragem; e renegasse a tortuosa vereda da maldade e da covardia. Se bem observarmos, toda pessoa má é covarde; e toda pessoa covarde é má. O que se deseja e se pede com ardorosa fé e fundada esperança é que a tempestade do egoísmo passe logo; vindo, em seguida, a bonança da solidariedade, do amor, do zelo para com o povo, do entusiasmo, da confiança e da determinação de fazer a Paraíba romper a barreira da estagnação, superar todos os obstáculos e tornar-se um estado federado rico de espírito e de progresso e prosperidade material, e que tenha de volta o respeito da nacionalidade. Afinal, a Paraíba de Vidal de Negreiros, Napoleão Laureano, Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, Argemiro de Figueiredo, Ruy Carneiro, Humberto Lucena, Samuel Duarte, Oswaldo Trigueiro, Ernani Sátyro, João Agripino, Flávio Ribeiro Coutinho, Abelardo Jurema, Assis Chateaubriand, Mário Moacir Porto, Flósculo da Nóbrega, José Fernandes de Lima, Osmar de Aquino, Epitácio Pessoa; a Paraíba dos Zés (Lins do Rego e Américo de Almeida) não combina em nada com a Paraíba de hoje.

21 de ago. de 2007

Greve justa ou chantagem assassina?

O que eu devo pensar de um médico que cruza os braços consciente de que seu gesto pode levar pessoas à morte? É um profissional que ultrapassou seu limite de tolerância com o desrespeito por seus direitos? Ou será um sujeito suficientemente frio e insensível para calcular a força da sua atitude como pressão para ver atendida suas reivindicações? Seja como for, me parece absurdo que alguém que detenha conhecimento científico suficiente para salvar uma vida deixe de fazê-lo por vontade própria. Não me parece que abandonar as pessoas às suas chagas, dores, prantos, infecções e riscos de vida seja uma política reinvidicatória própria a um profissional da saúde. Creio que não se trata apenas de indisciplina funcional merecedora de punição burocrática; o caso aqui é de desabilitação ao exercício da medicina por indignidade. Aquele que deixa morrer podendo salvar não é menos assassino do que aquele que mata.

20 de ago. de 2007

Um paraibano confiável


No mundinho de gente dissimulada, ardilosa e perversa que caracteriza a política paraibana havia um sujeito que destoava, que impressionava pela cultura, pela correção e pelo caráter: Gervásio Maia. Não por acaso brilhou profissionalmente por onde andou, nos centros mais desenvolvidos do Brasil. Mas fumava, fumava como jamais vi alguém fumar. Uma pena que não tenha tido pela própria saúde o mesmo amor que dedicou ao trabalho. Vai fazer falta, muita falta.