28 de jul. de 2008

Anderson Pires, marqueteiro de João Gonçalves?



Circulam informações de que o ex-publicitário e ex-militante petista, Anderson Pires, assumiu a campanha de João Gonçalves. Parece que o convite foi aceito não apenas pela necessidade de ocupação do rapaz, mas também pela oportunidade dele dar umas bordoadas em Ricardo Coutinho, desafeto dos tempos da política partidária petista. Por outro lado, a "contratação" deixa o marketing cassista/gouveista ocupado com o que realmente importa e sem a obrigação de comprar briga com o prefeito de João Pessoa, liderança poderosíssima para os próximos anos. Parece ser o caso de um marqueteiro descartável para uma candidato inviável...

26 de jul. de 2008

Bem que eu gostaria, mas tive que optar.


Foi tudo acertado durante o IV Congresso Brasileiro de Publicidade: eu assumiria a coordenação de marketing de uma campanha para prefeito em João Pessoa. Só que, na semana passada, depois de algumas reuniões com meus clientes perenes, chegamos todos à conclusão de que seria absolutamente inviável eu dedicar-me integralmente a um único compromisso por tanto tempo. E tive de renunciar ao convite. Mas prometo acompanhar tudinho, daqui de São Paulo, e compartilhar com meus leitores minhas impressões sobre as campanhas, principalmente de João Pessoa e de Campina Grande.

24 de jul. de 2008

Paraíba x TAM: que vexame!

Benvindo ao Guararapes

A Paraíba tem coisas bizarras. A mais recente é a tentativa do senador Efraim Morais de convocar seus pares para pressionar a TAM a manter a freqüência de seus vôos para João Pessoa. Patético! Por menos simpatia que eu tenha pela TAM, não há como compactuar com esse tipo de intervencionismo político nas decisões de uma empresa privada. O que ocorre é que a Paraíba não gera demanda que justifique mais vôos. Quem gostava de voar no prejuízo para fazer bonito com o governo era a Varig. Por conta disso, quebrou. O fato é que, como eu já havia sugerido no meu primeiro "Moído da Semana", em 2006, ainda no Jornal da Paraíba, no dia em que a duplicação da BR 101, entre João Pessoa e Recife, fosse concluída o Castro Pinto perderia o sentido. É isso mesmo, é o que vai acontecer. Vai todo mundo embarcar no Guararapes, depois de uma hora de estrada, como fazem os paulistanos que embarcam em Cumbica. A reforma do Castro Pinto foi o maior desperdício de dinheiro público que eu já vi na vida. Inútil e com um resultado esteticamente estarrecedor. Sugestão: ônibus confortáveis, com ar-condicionado e serviço de bordo levando os pessoenses para o aeroporto de Recife.

18 de jul. de 2008

Alguém iria votar seja em quem for sem receber algum?


As revelações dos diálogos, obtidos pela Polícia Federal, na Operação Sufrágio, realizada na Paraíba, além de outras denúncias recorrentes de compra de votos, me deixam com a seguinte impressão: se todos os candidatos fizessem um acordo, em que fosse determinado que nenhum deles daria nenhum centavo para ninguém para comprar votos, provavelmente a eleição seria anulada por falta de quorum. Já imaginou o escândalo? "Eleição é anulada na Paraíba: ninguém foi votar." Os valores declarados nos telefonemas grampeados dão bem a medida da extensão da compra de votos, que chega às margens mais distantes dos centros de poder, onde grassa a miséria, inclusive moral, a ponto de se vender o voto por uns trocados. Negócios, empregos e esmolas, eis os interesses que movem as campanhas eleitorais e o exercício do voto. E agora? Suspende-se a distribuição de dinheiro, mesmo sob o risco da eleição ser anulada por falta de eleitores?

Quem se habilita?


Durante o IV Congresso Brasileiro de Publicidade, fui abordado por companheiros do Brasil inteiro pedindo a indicação de redatores. Aparentemente, há uma crise de redação na publicidade do Brasil. Não que esteja faltando gente desempregada que diz que redige. O que está faltando é gente capaz de sentar na frente de um teclado e extrair dele frases conexas, conceitos claros, textos sedutores... Gente com cultura suficiente para sustentar argumentos com eficácia. Gente com capacidade para concentrar-se no briefing, compreendê-lo e resolvê-lo sem perder o foco. Se você é ou conhece alguém assim, por favor, mantenha contato. Certamente tem uma cadeira diante de um teclado de computador esperando vocês, em algum lugar do Brasil.

8 de jul. de 2008

Comunicar e Crescer em Manaus lota auditório da Suframa


Mais de 400 pequenos e médios empreendedores amazonenses lotaram o auditório da Suframa, em Manaus, na segunda-feira, dia 7, para assistir a terceira edição do seminário Comunicar e Crescer. Durante mais de duas horas e meia, a platéia acompanhou atentamente as recomendações oferecidas pela ABAP para aqueles que pretendem transformar os seus negócios em marcas de valor. Ao final, durante meia hora, o palestrante respondeu a dezenas de questões apresentadas pelos participantes.

O dilema do PSDB: se bater em Ricardo, ajuda Maranhão


Eis uma equaçãozinha curiosa que políticos e marqueteiros envolvidos com a campanha eleitoral para a prefeitura de João Pessoa se irão confrontar daqui para a frente: tanto Cássio Cunha Lima, quando José Maranhão e, ainda, Ricardo Coutinho não estão disputando apenas uma eleição, mas a supremacia política no estado. Maranhão vive momento delicado, pois sofreu duas derrotas seguidas, uma objetiva, para Cássio, na disputa pelo governo do estado e outra, agorinha mesmo, ao não conseguir emplacar o vice de Ricardo. Ou seja, cresceram para cima dele tanto um quanto o outro. E agora? Poderia se dizer que agora o pau vai cantar entre PSDB e PSB. Mas aí é que está o nó. Quem duvida que Maranhão não estará torcendo para uma campanha forte em João Pessoa? Perdida por perdida a eleição, restaria aos tucanos usar de seu espaço para dar uma desgastada na aparente inviolabilidade do prefeito, levando um Ricardo mais vulnerável para 2010. Se isso é bom para Cássio é, no entanto, melhor ainda para José Maranhão que nesta altura do campeonato já está com as fichas todas reservadas para os "irmãos coragem". Não quero dizer nada, é apenas um palpite, mas alguma coisa me faz acreditar que a campanha de João Pessoa vai ser "fofa" como só e Ricardo Coutinho vai dar um passeio a lá Schumacher em seus melhores momentos. Não apenas o passeio anunciado, mas um passeio extremamente confortável, chegando à reta final propositalmente preservado. Para essa solução se mostrar adequada, no entanto, se faz necessária uma vitória de Rômulo Gouveia em Campina Grande. Aí a conta fecha. O PMDB "desaparece" na capital e "devolve", em Campina, o que os Cunha Lima, historicamente, entendem como seu. Com Ricardo forte em João Pessoa e Cássio forte da Borborema para diante, as forças a serem medidas passam a ser outras. Se a tradição ainda vale alguma coisa, Ricardo teria de comer mais um bocadinho de feijão para virar governador, marcando uma presença importante em 2010, mas não necessariamente se elegendo.O PMDB, fatalmente, vai ter candidato. E a tendência vai ser o partido de Maranhão e o PSB partirem para uma briga acirrada que muito deverá convir ao PSDB.

4 de jul. de 2008

Ney: quem mudou de lado foram meus companheiros em 2006


Em papo rápido com esse amigo de vocês, o ex-senador Ney Suassuna confirmou a informação dada em primeira mão pelo portal WSCOM: vai mesmo apoiar Rômulo Gouveia na campanha para a prefeitura de Campina Grande, contra Veneziano Vital do Rego. Interrogado sobre se estava mudando de lado, respondeu que sempre foi coerente em suas posições e que quem mudou de lado foram seus companheiros de chapa de 2006: "me abandonaram no meio do caminho, desprezando uma história de muitos anos e, assim, me fizeram perder uma eleição ganha."

19 de jun. de 2008

Correio da Bahia - Entrevista a Osvaldo Lyra

16/06/2008
PINGUE-PONGUE/STALIMIR VIEIRA

‘O eleitor é extremamente severo’




O publicitário Stalimir Vieira defende o respeito à inteligência e à realidade do eleitor. Considera um erro fatal para os candidatos não levarem esses dois pontos à risca, como aconteceu em 2006, na campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência da República, da qual participou Stalimir Vieira. “Eu trabalhei na equipe de marketing da campanha dele no primeiro turno. E qual foi a gota d’água? Ele conseguiu perder dois milhões de votos recebidos no primeiro turno no segundo. Mas qual foi o erro? A falta de respeito à, realidade, à inteligência do eleitor”, conta o publicitário nesta entrevista exclusiva

concedida ao repórter Osvaldo Lyra, do Correio da Bahia. “Se o Alckmin vinha de um partido que cultuava o ideal da privatização, não poderia mudar da noite para o dia. De uma hora para outra, por entender que aquele discurso confrontava com os ideais do candidato que estava na frente (o atual presidente Lula), ele incorporou princípios estatizantes como bandeira, o que não soava com sentido para as pessoas”, declarou. Stalimir Vieira fala com a autoridade de quem tem 32 anos de profissão, com passagem por agências dentro e fora do Brasil e autor de dois livros. Leia a íntegra da entrevista abaixo.

***

CORREIO DA BAHIA - Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o publicitário Duda Mendonça e o então secretário de Comunicação da prefeitura, Antenor Braido, a devolverem R$1,3 milhão aos cofres públicos. Eles são acusados de cometer irregularidades em propaganda da prefeitura de São Paulo. Acontecimentos como esse abalam a credibilidade da sociedade e dos políticos nos marqueteiros?

Stalimir Vieira – Acho que a percepção do trabalho do marketing político vem mudando por parte da população, até porque se tornou um modismo. De repente, a prática do marketing se transformou na grande maestra do destino dos políticos e das eleições. Acho que se iniciou um processo de saturação disso, diante dos excessos e deslumbramentos, que gerou essa situação em que começam a aparecer situações que justificam as intervenções da Justiça. Agora, o mais importante é que a própria percepção da população sobre o assunto mudou. Há um amadurecimento do eleitor. Ele agora pesquisa, com muito mais facilidade, os truques do marketing, avaliando o assunto, inclusive sob uma luz de uma ética própria.

CB – E como o eleitor, peça-chave nessa história, enxerga o político atualmente?

SV – O eleitor tem uma prevenção natural ao político, por tudo que ele já experimentou. A história nos mostra que, de uma maneira geral, havia duas posturas: ou você resistia ou se submetia. Até os dias de hoje ainda vivemos no Brasil a tutela do poder, mas o momento do país agora é de amadurecimento da população. Embora o político esteja viciado e acostumado com a tradição, ele começa a ter uma oportunidade, já que a população cria uma nova expectativa. Ela não tem prevenção contra a política em si, pois ela compreende a necessidade desse escalonamento e dessa formatação, mas, ao mesmo tempo, começa a cobrar e esperar mais dos políticos. Por isso que há uma aposta em novos quadros e novos nomes que possam transformar essa percepção.

CB - O senhor acredita que o trabalho dos marqueteiros contribuiu para a baixa credibilidade do segmento político hoje no país?

SV – Acho que os marqueteiros, de alguma maneira, colaboraram com isso. Até porque, o primeiro momento do trabalho do profissional do marketing é a consonância com a atitude do político, que construía uma imagem, não necessariamente verdadeira. Houve um momento em que o marqueteiro trabalhava em cima de artifícios, tanto que oferecia um mesmo modelo de campanha em várias regiões, com características culturais completamente diferentes. Mas ele estava a serviço com suas técnicas e seus instrumentos em prol desse artificialismo.

CB - Promessas megalomaníacas e artificialidade. Como encontrar a fórmula ideal para se comunicar com o eleitor?

SV – Acredito que estamos vivendo uma transformação nesse momento. Se você fizer uma análise sobre o último pleito municipal, vamos perceber que já foram cassados 3% dos prefeitos eleitos em 2004, o que dá 159 no total. Só no estado do Roraima, um terço dos prefeitos perderam seus mandatos. Numa avaliação recente foi constatado que 36% dos vereadores eleitos no país são considerados despreparados pela baixa escolaridade ou por falta de experiência anterior. Então, já se percebem as conseqüências nefastas de um trabalho de marketing descomprometido com a história, vinculado apenas a uma eleição.

CB - O que fazer para reverter isso? Deve existir um comprometimento ético maior entre os marqueteiros e os políticos na busca pela verdade?

SV – Isso vai muito além do comprometimento ético, que deve ser natural de qualquer cidadão. Eu acho que a expectativa que se tem agora sobre o profissional do marketing é que ele seja um sujeito culto, que ele tenha uma percepção sociológica, socioeconômica e sócio-política do que vai trabalhar, para que não fique restrito a trabalhar a forma. Vejo hoje o marqueteiro muito mais ocupado com a concepção do discurso político. Antes de falar com o candidato, ele deve conhecer a expectativa popular. E isso, não através de uma pesquisa pontual, mas sim de um conceito de expectativas que permeiam todas as populações.

CB - O sucesso de um candidato depende da sua força política, da força de uma coligação, dos ciclos de vontade popular e do marketing. É nessa ordem?

SV – Acho que o sucesso de um candidato está sustentado em uma história respeitável, o que, necessariamente, não precisa ser uma história longa, já que ele pode ser um candidato jovem, mas herdeiro de uma história respeitada, que conseguiu elaborar e traduzir essa tradição em uma versão moderna. Ele tem que fazer alianças ideologicamente construtivas, sem fazer acordos aleatórios, circunstanciais ou oportunistas. E, ao mesmo tempo, ele tem que ser capaz de uma retórica natural e coerente. A forma de falar não tem que ser técnica, em termos de marketing, mas sim direta e convincente.

CB - Na sua opinião, qual é a eficácia da fórmula de marketing que tenta associar emoção e razão num só discurso. Paulo Maluf fez isso em São Paulo, Antonio Imbassahy fez e faz isso em Salvador. Esse modelo não está desgastado?

SV – Esse modelo está desgastado, superado e comete o erro de preservar uma política retrógrada. Tanto o marqueteiro quanto o candidato têm lições importantes, no sentido do esclarecimento e da evolução. Acabou aquele compromisso simples da eleição. O compromisso é com a evolução e, se ele não adere a isso, fica para traz. Acho que a gota d’água nesse tipo de postura foi a eleição presidencial de 2006.

CB - Como um candidato pode chamar a atenção para si e para o seu discurso de forma eficiente?

SV – Principalmente respeitando o eleitor. Ele tem que ter respeito pela inteligência e pela realidade do eleitor. Quando eu citei a eleição de 2006, me referi à eleição de (Geraldo) Alckmin. Eu trabalhei na equipe de marketing da campanha dele, no primeiro turno. E qual foi a gota d’água? Ele conseguiu perder dois milhões de votos recebidos no primeiro turno, no segundo. Mas qual foi o erro? A falta de respeito à realidade, à inteligência do eleitor. Se o Alckmin vinha de um partido que cultuava o ideal da privatização, não poderia mudar da noite para o dia. De uma hora para outra, por entender que aquele discurso confrontava com os ideais do candidato que estava na frente (o atual presidente Lula), ele incorporou princípios estatizantes como bandeira, o que não soava com sentido para as pessoas. Então, você tem que ter respeito pela inteligência das pessoas. Por se tratar de um subproduto do marketing, o marketing político esquece que as pessoas pensam. Por mais que não pareça, ideologia ainda existe. Ela continua sendo um conjunto de crenças que estabelece um compromisso de conduta. Tem eleição em que você entra para ganhar credibilidade e não para vencê-la. Você tem que respeitar essa lógica. Toda vez que você entra numa disputa para o tudo ou nada, a tendência é peder a eleição e a própria credibilidade. Cada novo pleito deve ser a construção de um discurso coerente, que faça sentido para a população e que transmita confiabilidade.

CB - Na verdade, o que realmente funciona em uma campanha política?

SV - O que funciona em uma campanha é você ser natural, verdadeiro, honesto.

CB - As pessoas sentem isso?

SV - É claro que sentem. Por isso que eu digo: toda vez que você procura ser oportunista e nega ideais que vinha guardando, ou que você amplia demais o seu leque, incorporando contradições em sua campanha, você corre riscos altíssimos. Então, não me surpreende que pessoas partam para a disputa e não vençam da primeira vez, nem da segunda, talvez vençam na terceira, porque construíram uma imagem de credibilidade junto à população.

CB - E caso essa imagem não seja colocada em prática, ao assumir o poder, o senhor acredita que a população vá cobrar numa disputa futura?

SV - Não tenha dúvida. O eleitor é extremamente severo, é um patrão muito radical nessas coisas. Ele foi iludido na sua boa-fé, então é uma traição. Trair uma inteligência é tão forte como trair a confiança. Ninguém gosta de ser tratado como um idiota. Portanto, existe a necessidade de ter um amadurecimento cada vez maior quanto ao que se promete e o que se pode cumprir depois. O candidato deve ter um discurso avançado, com uma visão de futuro, com uma cultura abrangente, falando coisas para o eleitor que possa colocar, realmente, em prática.

CB - Como deve ser feito o financiamento das campanhas eleitorais?

SV - Esse é um assunto que vem sendo discutido muito, inclusive sobre a utilização de recursos públicos e privados. Eu ainda acho que deve haver uma redemocratização dos espaços. Todo o mundo tem que ter o direito de se preservar, da maneira mais inteligente, mas, infelizmente, não podemos fazer aqui como se faz nos Estados Unidos, em que quem tem mais recursos leva vantagem. Portanto, acredito que cotas de financiamento com dinheiro público, por pior que pareça, ainda são a solução possível para uma realidade como a brasileira.

CB - A Justiça Eleitoral tem agido cada vez com mais rigor nos processos eleitorais. Há excessos?

SV - Acho que a Justiça Eleitoral tem um papel fiscalizador importante, de filtrar a mensagem. Agora, ela não pode agir como prevenção. Existe um certo preconceito em algumas circunstâncias. Falta uma certa independência da Justiça Eleitoral para olhar sem ter preconceitos e sem se colocar numa atitude de oposição à liguagem política. O que eu quero dizer com isso: em tempos de eleição, se agudiza esse tipo de prevenção, pois tudo é visto como propaganda eleitoral. Se uma prefeitura começa a divulgar os feitos de sua administração, corre o risco de ser retirado do ar, por iniciativa do próprio Ministério Público. Portanto, com eleição ou sem eleição, o mandatário tem obrigação de falar o que está fazendo.

CB - E como encontrar o equilíbrio?

SV - O equilíbrio se dá num olhar independente, técnico.

CB - Esse rigor tem dificultado, inclusive, a captação de recursos para as campanhas...

SV – De fato. O Brasil, infelizmente, praticou muita irresponsabilidade e até bandidagem. Ninguém tinha muito compromisso com nada. E, de uma hora para a outra, simplesmente, se resolveu agir e cumprir a lei. Isso é uma contradição. O cumprimento da lei não é para assustar. Ela existe para que você a respeite. Você pode contribuir, declarar, até porque todo o mundo tem direito a ter seu candidato, seja pessoa física ou jurídica. Então colabore, transparente, de forma cristalina. É só agir dentro da lei.

CB - O senhor diz que não existe frase feita, ou seja, não existem regras básicas a serem aplicadas a todos. O que fazer então em um período pré-eleitoral como esse que estamos atravessando?

SV – Você tem que sentar com seu candidato para discutir aquilo que você nunca discute. Em vez de falar sobre a cor do terno ou o penteado do cabelo, vamos sentar e discutir política. Vamos estimular uma discussão política. Ajudar a construir um discurso com a modernidade, que seja possível de ser colocado em prática. O marqueteiro tem o compromisso sociopolítico muito grande. Tem que acabar com esse mercantilismo e assumir esse papel relevante na sociedade. Se eu vou trabalhar com um candidato, eu vou discutor políticas e não amenidades. Se precisar, contrate um fonoaudiólogo bom de oratória, um bom estilista, mas não deixe essa responsabilidade sobre o marketing de sua campanha.

18 de jun. de 2008

A maravilhosa diversidade brasileira


Cada região com suas questões particulares. Não fosse gaúcho de nascimento e criação, eu, provavelmente, estranharia o aviso que encontrei afixado num dos banheiros da Feevale, faculdade localizada na cidade de Novo Hamburgo. A questão é a seguinte: o hábito de tomar chimarrão está disseminado entre os jovens universitários e seus profesores. E na hora de trocar a erva-mate usada por uma nova, o pessoal andava usando o banheiro. Daí, a necessidade de lembrar a todos que existe recipiente adequado. Num estado do nordeste, o cartaz despertaria suspeitas.