16/06/2008
PINGUE-PONGUE/STALIMIR VIEIRA
‘O eleitor é extremamente severo’
O publicitário Stalimir Vieira defende o respeito à inteligência e à realidade do eleitor. Considera um erro fatal para os candidatos não levarem esses dois pontos à risca, como aconteceu em 2006, na campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência da República, da qual participou Stalimir Vieira. “Eu trabalhei na equipe de marketing da campanha dele no primeiro turno. E qual foi a gota d’água? Ele conseguiu perder dois milhões de votos recebidos no primeiro turno no segundo. Mas qual foi o erro? A falta de respeito à, realidade, à inteligência do eleitor”, conta o publicitário nesta entrevista exclusiva
concedida ao repórter Osvaldo Lyra, do Correio da Bahia. “Se o Alckmin vinha de um partido que cultuava o ideal da privatização, não poderia mudar da noite para o dia. De uma hora para outra, por entender que aquele discurso confrontava com os ideais do candidato que estava na frente (o atual presidente Lula), ele incorporou princípios estatizantes como bandeira, o que não soava com sentido para as pessoas”, declarou. Stalimir Vieira fala com a autoridade de quem tem 32 anos de profissão, com passagem por agências dentro e fora do Brasil e autor de dois livros. Leia a íntegra da entrevista abaixo.
***
CORREIO DA BAHIA - Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o publicitário Duda Mendonça e o então secretário de Comunicação da prefeitura, Antenor Braido, a devolverem R$1,3 milhão aos cofres públicos. Eles são acusados de cometer irregularidades em propaganda da prefeitura de São Paulo. Acontecimentos como esse abalam a credibilidade da sociedade e dos políticos nos marqueteiros?
Stalimir Vieira – Acho que a percepção do trabalho do marketing político vem mudando por parte da população, até porque se tornou um modismo. De repente, a prática do marketing se transformou na grande maestra do destino dos políticos e das eleições. Acho que se iniciou um processo de saturação disso, diante dos excessos e deslumbramentos, que gerou essa situação em que começam a aparecer situações que justificam as intervenções da Justiça. Agora, o mais importante é que a própria percepção da população sobre o assunto mudou. Há um amadurecimento do eleitor. Ele agora pesquisa, com muito mais facilidade, os truques do marketing, avaliando o assunto, inclusive sob uma luz de uma ética própria.
CB – E como o eleitor, peça-chave nessa história, enxerga o político atualmente?
SV – O eleitor tem uma prevenção natural ao político, por tudo que ele já experimentou. A história nos mostra que, de uma maneira geral, havia duas posturas: ou você resistia ou se submetia. Até os dias de hoje ainda vivemos no Brasil a tutela do poder, mas o momento do país agora é de amadurecimento da população. Embora o político esteja viciado e acostumado com a tradição, ele começa a ter uma oportunidade, já que a população cria uma nova expectativa. Ela não tem prevenção contra a política em si, pois ela compreende a necessidade desse escalonamento e dessa formatação, mas, ao mesmo tempo, começa a cobrar e esperar mais dos políticos. Por isso que há uma aposta em novos quadros e novos nomes que possam transformar essa percepção.
CB - O senhor acredita que o trabalho dos marqueteiros contribuiu para a baixa credibilidade do segmento político hoje no país?
SV – Acho que os marqueteiros, de alguma maneira, colaboraram com isso. Até porque, o primeiro momento do trabalho do profissional do marketing é a consonância com a atitude do político, que construía uma imagem, não necessariamente verdadeira. Houve um momento em que o marqueteiro trabalhava em cima de artifícios, tanto que oferecia um mesmo modelo de campanha em várias regiões, com características culturais completamente diferentes. Mas ele estava a serviço com suas técnicas e seus instrumentos em prol desse artificialismo.
CB - Promessas megalomaníacas e artificialidade. Como encontrar a fórmula ideal para se comunicar com o eleitor?
SV – Acredito que estamos vivendo uma transformação nesse momento. Se você fizer uma análise sobre o último pleito municipal, vamos perceber que já foram cassados 3% dos prefeitos eleitos em 2004, o que dá 159 no total. Só no estado do Roraima, um terço dos prefeitos perderam seus mandatos. Numa avaliação recente foi constatado que 36% dos vereadores eleitos no país são considerados despreparados pela baixa escolaridade ou por falta de experiência anterior. Então, já se percebem as conseqüências nefastas de um trabalho de marketing descomprometido com a história, vinculado apenas a uma eleição.
CB - O que fazer para reverter isso? Deve existir um comprometimento ético maior entre os marqueteiros e os políticos na busca pela verdade?
SV – Isso vai muito além do comprometimento ético, que deve ser natural de qualquer cidadão. Eu acho que a expectativa que se tem agora sobre o profissional do marketing é que ele seja um sujeito culto, que ele tenha uma percepção sociológica, socioeconômica e sócio-política do que vai trabalhar, para que não fique restrito a trabalhar a forma. Vejo hoje o marqueteiro muito mais ocupado com a concepção do discurso político. Antes de falar com o candidato, ele deve conhecer a expectativa popular. E isso, não através de uma pesquisa pontual, mas sim de um conceito de expectativas que permeiam todas as populações.
CB - O sucesso de um candidato depende da sua força política, da força de uma coligação, dos ciclos de vontade popular e do marketing. É nessa ordem?
SV – Acho que o sucesso de um candidato está sustentado em uma história respeitável, o que, necessariamente, não precisa ser uma história longa, já que ele pode ser um candidato jovem, mas herdeiro de uma história respeitada, que conseguiu elaborar e traduzir essa tradição em uma versão moderna. Ele tem que fazer alianças ideologicamente construtivas, sem fazer acordos aleatórios, circunstanciais ou oportunistas. E, ao mesmo tempo, ele tem que ser capaz de uma retórica natural e coerente. A forma de falar não tem que ser técnica, em termos de marketing, mas sim direta e convincente.
CB - Na sua opinião, qual é a eficácia da fórmula de marketing que tenta associar emoção e razão num só discurso. Paulo Maluf fez isso em São Paulo, Antonio Imbassahy fez e faz isso em Salvador. Esse modelo não está desgastado?
SV – Esse modelo está desgastado, superado e comete o erro de preservar uma política retrógrada. Tanto o marqueteiro quanto o candidato têm lições importantes, no sentido do esclarecimento e da evolução. Acabou aquele compromisso simples da eleição. O compromisso é com a evolução e, se ele não adere a isso, fica para traz. Acho que a gota d’água nesse tipo de postura foi a eleição presidencial de 2006.
CB - Como um candidato pode chamar a atenção para si e para o seu discurso de forma eficiente?
SV – Principalmente respeitando o eleitor. Ele tem que ter respeito pela inteligência e pela realidade do eleitor. Quando eu citei a eleição de 2006, me referi à eleição de (Geraldo) Alckmin. Eu trabalhei na equipe de marketing da campanha dele, no primeiro turno. E qual foi a gota d’água? Ele conseguiu perder dois milhões de votos recebidos no primeiro turno, no segundo. Mas qual foi o erro? A falta de respeito à realidade, à inteligência do eleitor. Se o Alckmin vinha de um partido que cultuava o ideal da privatização, não poderia mudar da noite para o dia. De uma hora para outra, por entender que aquele discurso confrontava com os ideais do candidato que estava na frente (o atual presidente Lula), ele incorporou princípios estatizantes como bandeira, o que não soava com sentido para as pessoas. Então, você tem que ter respeito pela inteligência das pessoas. Por se tratar de um subproduto do marketing, o marketing político esquece que as pessoas pensam. Por mais que não pareça, ideologia ainda existe. Ela continua sendo um conjunto de crenças que estabelece um compromisso de conduta. Tem eleição em que você entra para ganhar credibilidade e não para vencê-la. Você tem que respeitar essa lógica. Toda vez que você entra numa disputa para o tudo ou nada, a tendência é peder a eleição e a própria credibilidade. Cada novo pleito deve ser a construção de um discurso coerente, que faça sentido para a população e que transmita confiabilidade.
CB - Na verdade, o que realmente funciona em uma campanha política?
SV - O que funciona em uma campanha é você ser natural, verdadeiro, honesto.
CB - As pessoas sentem isso?
SV - É claro que sentem. Por isso que eu digo: toda vez que você procura ser oportunista e nega ideais que vinha guardando, ou que você amplia demais o seu leque, incorporando contradições em sua campanha, você corre riscos altíssimos. Então, não me surpreende que pessoas partam para a disputa e não vençam da primeira vez, nem da segunda, talvez vençam na terceira, porque construíram uma imagem de credibilidade junto à população.
CB - E caso essa imagem não seja colocada em prática, ao assumir o poder, o senhor acredita que a população vá cobrar numa disputa futura?
SV - Não tenha dúvida. O eleitor é extremamente severo, é um patrão muito radical nessas coisas. Ele foi iludido na sua boa-fé, então é uma traição. Trair uma inteligência é tão forte como trair a confiança. Ninguém gosta de ser tratado como um idiota. Portanto, existe a necessidade de ter um amadurecimento cada vez maior quanto ao que se promete e o que se pode cumprir depois. O candidato deve ter um discurso avançado, com uma visão de futuro, com uma cultura abrangente, falando coisas para o eleitor que possa colocar, realmente, em prática.
CB - Como deve ser feito o financiamento das campanhas eleitorais?
SV - Esse é um assunto que vem sendo discutido muito, inclusive sobre a utilização de recursos públicos e privados. Eu ainda acho que deve haver uma redemocratização dos espaços. Todo o mundo tem que ter o direito de se preservar, da maneira mais inteligente, mas, infelizmente, não podemos fazer aqui como se faz nos Estados Unidos, em que quem tem mais recursos leva vantagem. Portanto, acredito que cotas de financiamento com dinheiro público, por pior que pareça, ainda são a solução possível para uma realidade como a brasileira.
CB - A Justiça Eleitoral tem agido cada vez com mais rigor nos processos eleitorais. Há excessos?
SV - Acho que a Justiça Eleitoral tem um papel fiscalizador importante, de filtrar a mensagem. Agora, ela não pode agir como prevenção. Existe um certo preconceito em algumas circunstâncias. Falta uma certa independência da Justiça Eleitoral para olhar sem ter preconceitos e sem se colocar numa atitude de oposição à liguagem política. O que eu quero dizer com isso: em tempos de eleição, se agudiza esse tipo de prevenção, pois tudo é visto como propaganda eleitoral. Se uma prefeitura começa a divulgar os feitos de sua administração, corre o risco de ser retirado do ar, por iniciativa do próprio Ministério Público. Portanto, com eleição ou sem eleição, o mandatário tem obrigação de falar o que está fazendo.
CB - E como encontrar o equilíbrio?
SV - O equilíbrio se dá num olhar independente, técnico.
CB - Esse rigor tem dificultado, inclusive, a captação de recursos para as campanhas...
SV – De fato. O Brasil, infelizmente, praticou muita irresponsabilidade e até bandidagem. Ninguém tinha muito compromisso com nada. E, de uma hora para a outra, simplesmente, se resolveu agir e cumprir a lei. Isso é uma contradição. O cumprimento da lei não é para assustar. Ela existe para que você a respeite. Você pode contribuir, declarar, até porque todo o mundo tem direito a ter seu candidato, seja pessoa física ou jurídica. Então colabore, transparente, de forma cristalina. É só agir dentro da lei.
CB - O senhor diz que não existe frase feita, ou seja, não existem regras básicas a serem aplicadas a todos. O que fazer então em um período pré-eleitoral como esse que estamos atravessando?
SV – Você tem que sentar com seu candidato para discutir aquilo que você nunca discute. Em vez de falar sobre a cor do terno ou o penteado do cabelo, vamos sentar e discutir política. Vamos estimular uma discussão política. Ajudar a construir um discurso com a modernidade, que seja possível de ser colocado em prática. O marqueteiro tem o compromisso sociopolítico muito grande. Tem que acabar com esse mercantilismo e assumir esse papel relevante na sociedade. Se eu vou trabalhar com um candidato, eu vou discutor políticas e não amenidades. Se precisar, contrate um fonoaudiólogo bom de oratória, um bom estilista, mas não deixe essa responsabilidade sobre o marketing de sua campanha.
19 de jun. de 2008
18 de jun. de 2008
A maravilhosa diversidade brasileira

Cada região com suas questões particulares. Não fosse gaúcho de nascimento e criação, eu, provavelmente, estranharia o aviso que encontrei afixado num dos banheiros da Feevale, faculdade localizada na cidade de Novo Hamburgo. A questão é a seguinte: o hábito de tomar chimarrão está disseminado entre os jovens universitários e seus profesores. E na hora de trocar a erva-mate usada por uma nova, o pessoal andava usando o banheiro. Daí, a necessidade de lembrar a todos que existe recipiente adequado. Num estado do nordeste, o cartaz despertaria suspeitas.
14 de jun. de 2008
Gaúchos aderem em massa ao Comunicar & Crescer

Último estado a compor a agenda dos seminários Comunicar e Crescer, o Rio Grande do Sul reuniu uma das maiores platéias que o evento já teve em seus quatro anos de existência e 135 seminários realizados. Porto Alegre (10/6), Novo Hamburgo (11/6) e Caxias do Sul (12/6) compuseram o circuito do Comunicar e Crescer gaúcho. Para este amigo de vocês foi de lavar a alma levar para tantos conterrâneos as mensagens que já chegaram a mais de 40.000 pequenos e médios empreendedores em todo o Brasil.
5 de jun. de 2008
Logomarca de mau agouro?


A TAM investiu uma nota preta para tentar apagar seu passado recente, queimado numa fogueira que consumiu três centenas de pessoas, em dois episódios. Sobre o lettering do seu nome tascou a figura sinistra de um albatroz, chamado alcatraz pelos primeiros portugueses que se aventuraram pela costa africana. Talvez por falta de cultura ou de uma simples pesquisadinha, designers e publicitários da agência e marqueteiros do cliente não ficaram sabendo que o albatroz é, tradicionalmente, considerada uma ave de mau agouro, encarnação de marinheiros mortos. Em tempos de google e de wikipedia, tais mancadas já não se justificam.
2 de jun. de 2008
Participação marca o "Comunicar e Crescer" na Paraíba

A terceira versão do seminário Comunicar e Crescer, apresentada em João Pessoa, no dia 27 de maio, para um público de cerca de duzentos pequenos e médios empreendedores, foi marcada por uma intensa participação da platéia no debate levado ao final da exposição. Por quase uma hora, dezenas de empresários formularam perguntas ao apresentador e deram seus testemunhos acerca do trabalho de desenvolvimento da marca dos seus negócios. O seminário ocorreu no auditório do Sesi/Fiep e mostrou grande organização, desde a recepção dos participantes até o encerramento, quando foram sorteados diversas assinaturas de jornal e livros de arte. No dia 28, o "Comunicar e Crescer" repetiu-se em Campina Grande e no dia 30, em Natal.
27 de mai. de 2008
Que aperto! É o jeito TAM de voar.
6 de mai. de 2008
Um jeito atrasado de fazer política

.jpg)

A última vez em que os brasileiros cairam no jogo sujo de envolver a vida pessoal dos candidatos numa campanha política foi em 1989. Na ocasião, uma ex-mulher de Lula chamada Miriam foi contratada pela equipe de marqueteiros de Collor para "testemunhar" num dos guias eleitorais que Lula a teria tentado convencer a abortar a filha de ambos. Mesmo aparecendo indignado ao lado da menina no dia seguinte, o candidato do PT não conseguiu reverter o estrago em sua imagem. Então os brasileiros elegeram Collor e só depois deram-se conta da besteira que tinha feito, ludibriados que foram por um jeito atrasado de fazer política. A partir daí, esse tipo de "marketing" não tem funcionado mais. Pelo contrário, costuma provocar, inclusive, uma certa rejeição no eleitorado aos métodos baixos utilizados. Prova disso é o fato do Brasil ter sido governado por dois mandatos sucessivos por um presidente a quem se atribui um filho não assumido fora do casamento, o que teria, segundo informado em diversas ocasiões, levado o empregador a transferir a mãe da criança para outro país. O vídeo do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, que está fazendo sucesso na internet, só pode ter ido parar no youtube por motivações políticas. Afinal, imagens de um político tocando um instrumento num momento de lazer e, aparentemente, correspondendo ao assédio de uma mulher que poderia, quem sabe, estar à serviço de quem tomava as imagens, não representam necessariamente novidade. Sequer se caracterizam como escândalo. A menos que haja uma intenção prévia de produzir-se um estado de escândalo. O fato é revelador de que, dependendo da região, ainda há quem aposte nesse jeito atrasado de fazer política, vasculhando a vida pessoal das pessoas. Como marqueteiro político, não foram poucas as vezes em que fui estimulado a trilhar esse caminho torto na elaboração de peças publicitárias. Mas sempre me neguei. Preferi bater forte, focado sempre nas deficiências administrativas, dando a elas poderosas características dramáticas. A vida pessoal que me interessava era a vida das pessoas do povo, vitimadas pelo descaso governamental. Estimular a exploração de questões íntimas, xeretando e registrando momentos de descontração de personalidades políticas, é temerário, pois pode estimular uma espiral descendente não apenas na imagem dos políticos, mas na percepção dos critérios de avaliação de toda uma sociedade. Ou seja, no caso da Paraíba, fica a impressão de que por aqui ainda não se conseguiu superar uma espécie de pobreza cultural naquilo que nos deveria induzir a uma reflexão madura nas decisões político-eleitorais. O resto do Brasil está se divertindo com as imagens. Não necessariamente com as imagens do governador que, enfim, não significam nada demais. Mas com a imagem da Paraíba, capaz de dar relevância a uma prática antiética, além de reveladora de uma índole perversa e de caráter suspeito, coisa que, testemunho, não deve ser confundida com as características comuns à maioria do paraibanos.
25 de abr. de 2008
Matéria da edição 492 de CartaCapital

Márcia Pinheiro, editora de CartaCapital
A ÉTICA DO MARKETING
Márcia Pinheiro
O marqueteiro tem o primeiro nome de Stalimir, conjunção de duas palavras russas: stalin (aço) e mir (paz). Paz duradora. Há, porém, a óbvia homenagem ao ditador soviético, pois o publicitário nasceu no mesmo ano da morte de Josef Stalin (1953), e seus pais eram comunistas. Curiosamente, Stalimir Vieira é um profissional às avessas do que o senso comum percebe do poderoso mundo do marketing. Acaba de lançar, pela Martins Fontes, o livro Marca – O que o coração não sente os olhos não vêem (140 págs., R$ 20). Esqueça os vendedores pit bulls e os monges que fazem chover dinheiro com o poder da mente. O tema aqui é ética.
O profissional passou pelo mercado financeiro, pelo setor hoteleiro e por grandes agências do mainstream, como DPZ, W/Brasil, Bates e DDB Argentina. Hoje, é consultor. Atende empreendedores que precisam aprender a se comunicar com o consumidor. Não só no Brasil. Os micros e pequenos empresários de Moçambique e Angola a ele recorrem para dinamizar seus incipientes mercados, iniciativa apoiada pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap).
Também o governo de Cuba dele se vale. É professor convidado da Universidade de Havana, onde dá palestras periódicas. “Em 2001, recebi um convite do governo cubano, apadrinhado por Roberto Duailibi”, explica. Provocado se não é uma contradição fazer workshop na ilha de Fidel, o publicitário ri. “Aprendi que existe agência de propaganda em Cuba. Quem são os clientes? Os ministérios.” A idéia, segundo ele, é informar os cidadãos da disponibilidade de serviços. É o chamado marketing social, de interesse público.
“Você imagina o Partido Comunista. Eu o oriento sobre como se comunicar de maneira eficiente. Pode ser compatível com o sistema, desde que seja feita uma leitura sem violentá-lo. Consiste apenas em construir uma percepção do valor dos serviços e produtos”, explica. Esse é o papel do marketing: dar a roupagem para os apelos da população num sistema socialista. Os burocratas cubanos entenderam a mensagem, segundo ele. O marketing não é necessariamente capitalista. É a construção do conceito de comunicação.
Lá vem a contradição, raciocinaria o leitor. Não para Vieira. Hoje, ele representa a associação das agências de propaganda nas audiências públicas sobre publicidade de medicamentos, produtos voltados a crianças e bebidas. “Eu estou do lado do mal”, brinca. Porque, do outro, estão as ONGs, a imprensa e os parlamentares. “Defendo a liberdade. Tenho medo do que venha na esteira do controle da propaganda.” Na sua visão, o recurso de venda mais transparente é o marketing, porque fala o que é: “Eu sou propaganda. Você vai confiar ou não em mim”. E pronto. “Todo mundo sabe que aquilo foi feito porque alguém pagou”, continua.
À postura dos parlamentares, no papel de anjos de proteção ao consumidor, responde: “Por que não falam em regulamentar o marketing político? É muito mais importante”. Na seqüência, aperfeiçoa o pensamento. “A propaganda política perdeu muito da sua credibilidade no País. O brasileiro é esperto. Absorve rapidamente os truques”, acredita.
Ele diz que a publicidade apenas induz à experimentação. Não há o compromisso de sucesso do produto. Sobre se jovens ou crianças têm discernimento para escolher o que é melhor e não apenas se comportar como manadas, é claro: “As pessoas sempre foram assim. Elas precisam de referências e buscam a integração. A propaganda não inventa nada”. Para ele, a pior liberdade é mais eficaz que a melhor proibição. A liberdade expõe, denuncia, e a proibição só promove o que é interditado. O mercado continua a existir, independentemente de censuras. “Se a propaganda resolvesse tudo, a cocaína não seria o bom negócio que é”, entra o publicitário em terreno pantanoso.
De outro lado, critica o que chama de uso inconveniente do instrumental, sobretudo o telemarketing. “Eu não aceito transformar o meu telefone ou o meu celular em veículo. Veículo é televisão, revista, jornal, rádio, outdoor. O meu celular é privado. Quando compro uma revista, sei que há anúncio lá dentro. Está no preço. Tenho consciência. É uma decisão minha.” E por que o telemarketing prosperou tanto? “Porque é barato. É tão barato que não precisa nem funcionar. Isso é uma deselegância. Esse é o marketing estúpido e grosseiro, que aborda as pessoas sem pedir licença.”
Um exemplo citado no livro é eloqüente sobre a falsa percepção de que o marketing tudo resolve. Um fabricante de cobertores decidiu que precisava melhorar a imagem na comunidade onde estavam localizadas suas instalações, composta de uma população pobre e carente. Com o auxílio de uma mente “criativa” da publicidade, resolveu distribuir cobertores pela vizinhança. O tiro saiu pela culatra. Houve uma enorme indignação dos funcionários da empresa, cujo salário médio não era suficiente para adquirir o bem que produziam. Faltou sensibilidade.
Aventureiro, no fim dos anos 70, Vieira passou uma longa temporada na Europa. De Paris a Varsóvia, com direito a cruzar o Muro de Berlim, antes da queda. Na volta do tour europeu, assumiu a profissão, na DPZ, em Porto Alegre, sua cidade natal. Gesticula muito, conta minúcias, é empolgado. Teve um convite para o Rio e, na seqüência, São Paulo e Buenos Aires. Em 2000, Roberto Justus o convidou para trabalhar em sua agência, a NewcommBates. “Não deu certo”, diz. O motivo: “O foco do negócio era muito agressivo para os meus padrões. Discutível em termos de escrúpulos”, define.
Um episódio ocorrido na agência de Justus, descrito no livro, é auto-explicável. O cliente era um laboratório farmacêutico que perdia rapidamente participação no mercado de xaropes, porque o concorrente havia desenvolvido uma fórmula melhor, aconselhada por médicos. Vieira perguntou se o cliente realizava pesquisas para atualizar o medicamento. Silêncio. De imediato, uma jovem colega determinou: “Temos de estimular a automedicação”. Sugestão naturalmente aceita pelo cliente. O marqueteiro caiu fora.
Outro case, como gostam de dizer os publicitários, foi presenciado pelo marqueteiro. Estava em um supermercado, quando duas moças que trabalhavam no caixa começaram a desancar a empresa, reclamar do excesso de trabalho, da falta de condições do ambiente e dos baixíssimos salários. Elas falavam em alto e bom som, para a clientela ouvir. O slogan da empresa? “Lugar de gente feliz”. Não funcionou, houve prejuízos e a rede passou por um bom período de reestruturação.
É na ética que Vieira bate o seu martelo criativo. Relembra histórias da avó, em Porto Alegre. Toda vez que ela ouvia no rádio o jingle do produto Chimarrão Gaúcho, que se definia como o melhor chá do mundo, ela resmungava: “Mentiraaaaaa!” Para ele, o consumidor não é bobo. Pode se iludir por algum tempo, mas não por todo o tempo. Mesmo com os apelos da globalização, que tornou as empresas market oriented e não product oriented, uma hora a verdade vem à tona. E a verdade é apenas “vergonha na cara”, diz o marqueteiro de nome soviético. A avó de Vieira sabia disso. Será que todos os consumidores sabem?
17 de abr. de 2008
"Comunicar" no Paraná tem 1.000 participantes

Uma média de 250 pessoas foi a audiência de cada uma das etapas do seminário "Comunicar e Crescer", promovido pela ABAP nacional, no Paraná. Além da capital, receberam o evento as cidades de Cascavel (segunda versão) no dia 10 e Foz do Iguaçu (primeira versão) no dia 11. Em Curitiba, a terceira versão do "Comunicar" teve que ser dividida em duas datas - 8 e 14 -, em função do número de inscrições que superou o número de 600, quando o limite do auditório do Sebrae são 300 ocupantes. O Paraná volta a receber o "Comunicar e Crescer" em julho, nos dias 30, em Maringá e 31 em Londrina. A próxima edição acontece em Salvador no dia 22 de abril.
28 de mar. de 2008
Rio e Petrópolis recebem Comunicar e Crescer

No dia 25 de março, a Associação Brasileira das Agências de Publicidade realizou na sede da Federação da Indústrias do Rio de Janeiro,a terceira edição do seminário "Comunicar e Crescer", com o tema "Como transformar pequenos empreendimentos em marcas de valor". O evento contou com a presença de mais de 200 pequenos e médios empresários. No dia seguinte, foi a vez de Petrópolis, que reuniu 250 pessoas num dos salões do Hotel Quitandinha para acompanhar o evento atentamente por mais de três horas. Em abril o Comunicar e Crescer segue para o Paraná, com apresentações em Curitiba, no dia 8, Cascavel no dia 10 e Foz do Iguaçu no dia 11.
Assinar:
Postagens (Atom)
